Como se mede o sucesso?
A efetividade das operações de paz e o lugar do Brasil no debate global
Coordenação: Laboratório de Pesquisa em Operações de Paz do Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (PPGCM/ECEME)
Apoio: Coordenação-Geral da REBRAPAZ e Programa de Pós-Graduação em Direito Empresarial e Cidadania do Centro Universitário Curitiba (PPGD/UniCuritiba)
Data e horário: 04 NOV 2026, das 9h às 17h30
Local: Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Praça Gen Tibúrcio, 125 – Urca – Rio de Janeiro/RJ) + online
Inscrições: (a confirmar)
Transmissão ao vivo: canal da REBRAPAZ no YouTube.
NOTA CONCEITUAL
Em 2015, o Relatório do Painel Independente de Alto Nível sobre Operações de Paz (HIPPO) afirmou que a Organização das Nações Unidas (ONU) deveria saber melhor o que as suas operações efetivamente fazem. Dez anos depois, a pergunta continua aberta, mas as tentativas de respondê-la aumentaram de maneira significativa desde 2018.
Entre 2018 e 2025, a Effectiveness of Peace Operations Network (EPON), coordenada pelo Norwegian Institute of International Affairs (NUPI) e integrada por mais de 40 instituições, publicou 20 relatórios de avaliação de operações da ONU e de organizações regionais. Em 2026, esta rede foi sucedida pela Global Alliance for Peace Operations (GAPO). No âmbito da ONU, em 2018, foi implantado, em todas as missões, o Comprehensive Planning and Performance Assessment System (CPAS), que hoje tem mais de 65 mil pontos de dados de impacto. No mesmo período, o renomado think tank International Peace Institute (IPI) consolidou-se como o principal espaço de reflexão e de avaliação desses instrumentos.
Tal acúmulo de conhecimento específico chegou a uma importante conclusão: a efetividade das operações de paz depende não apenas das capacidades militares, mas também de apoio político sustentado, mandatos claros e recursos financeiros compatíveis, cooperação por parte do Estado anfitrião e engajamento da comunidade local. Mais do que isso, agora há consenso de que o que mais se mede, como efetivos e patrulhas, é o que menos determina os resultados; e o que mais determina os resultados, que seria a primazia da política, menos se deixa medir.
Paralelo a isso, a ONU enfrenta hoje uma grande crise de liquidez, o que tem levado à redução do número de operações de paz e a cortes de pessoal que chegam a 15%. Neste cenário, a efetividade deixa de ser um instrumento de aperfeiçoamento e passa a orientar também as decisões sobre redimensionamento e sobre o próprio término das operações.
Em 2026, essas e outras questões têm sido incorporadas nos debates e na revisão de todas as formas de operações de paz que foi solicitada pelo Pacto para o Futuro (2024) e tem sido conduzida, de forma integrada, pelo Departamento de Operações de Paz (DPO) e pelo Departamento de Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz (DPPA).
O Brasil contribui para operações de paz da ONU desde 1956 e acumulou, sobretudo no Haiti, no Líbano e no Timor-Leste, experiência operacional e doutrinária de reconhecimento internacional. Além disso, em 70 anos, o Brasil também desdobrou dezenas de militares em funções de liderança, muitos deles preparados por seus dois centros de instrução que são referência regional: o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) e o Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav).
Apesar disso, o Brasil participa pouco do debate sobre como se avalia o que essas operações produzem. Os frameworks e os critérios de avaliação hoje existentes foram concebidos por instituições principalmente do Norte Global. No Sul, quem ocupa esse espaço são algumas organizações africanas, como think tanks (ACCORD e ISS, na África do Sul) e centros de treinamento de operações de paz (CCCPA, no Egito, e KAIPTC, em Gana), para quem o debate é sobre apropriação regional (regional ownership), adequação contextual e legitimidade.
Essa assimetria tem algumas consequências para os países contribuintes de militares e policiais (TCCs e PCCs), como o Brasil: quando parâmetros de desempenho orientam as decisões sobre renovação e extinção de mandatos, ou sobre o redimensionamento das operações de paz, não participar da definição desses parâmetros significa aceitar critérios formulados por outros para avaliar o seu próprio desempenho. Significa também deixar de incluir dimensões de efetividade provenientes da experiência brasileira (e sul-americana), a exemplo do desenvolvimento de lideranças, do cuidado com a saúde mental dos peacekeepers e a qualidade da relação entre peacekeepers e a população local, a exemplo da prevenção de exploração e abuso sexual.
Ao completar 10 anos, a REBRAPAZ propõe uma nova reflexão: em vez de explorar como o Brasil participa das operações de paz, pergunta-se sobre como avaliar o que as operações de paz realmente produzem e onde o Brasil se posiciona nesse debate. A escolha do tema também permite um exercício de reflexão interna sobre os reais impactos da própria REBRAPAZ em sua primeira década de existência: o que se produziu, com que critérios e que impactos.
Nesse contexto, o Laboratório de Pesquisa em Operações de Paz (LABPOP) do Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (PPGCM/ECEME) junta-se à Coordenação-Geral da REBRAPAZ e ao Programa de Pós-Graduação em Direito do UniCuritiba para oferecer mais uma contribuição por intermédio da realização de duas atividades: o IX Seminário de Pesquisa e o X Encontro Anual da REBRAPAZ.
Tem-se por objetivo geral avançar a discussão no Brasil sobre efetividade das operações de paz, articulando o debate internacional às condições, à experiência e aos interesses brasileiros.
Como objetivos específicos, pretende-se:
(i) apresentar e discutir os principais frameworks de avaliação em uso;
(ii) analisar a evolução normativa e doutrinária das operações de paz e as suas implicações para o que se considera uma operação bem-sucedida;
(iii) identificar dimensões de efetividade que a experiência brasileira (e sul-americana) evidenciam e verificar em que medida foram capturadas pelos frameworks em vigor;
(iv) debater as consequências, para o Brasil, de um ambiente em que critérios de desempenho orientam decisões sobre manutenção, redimensionamento e/ou encerramento das operações; e
(v) refletir sobre e avaliar a trajetória de dez anos da REBRAPAZ.
PÚBLICO-ALVO
Busca-se atrair um público diverso, que inclui militares, policiais, diplomatas, funcionários públicos brasileiros e internacionais, especialistas, pesquisadores, professores, instrutores, acadêmicos e outros interessados nas operações de paz da ONU.
DATA / HORÁRIO / LOCAL
O X Encontro Anual será realizado no dia 04 de novembro de 2026, das 09h às 17h30, nas instalações da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), no Rio de Janeiro/RJ. Haverá transmissão ao vivo pelo canal da REBRAPAZ no YouTube.
METODOLOGIA
O X Encontro Anual da REBRAPAZ está estruturado em quatro painéis integrados por especialistas da Rede e por convidados, com duração máxima de 90 minutos por Painel. Cada palestrante tem até 15 minutos para expor as suas ideias, podendo fazer uso de recurso audiovisual. Ao final, e por até 30 minutos, os palestrantes podem reagir às perguntas e aos comentários dos participantes, colhidas junto à audiência local ou enviadas por meio do chat do YouTube durante as apresentações. Haverá intervalos de 15 minutos nos períodos da manhã e da tarde, além do almoço, com duração de 90 minutos.
CERTIFICAÇÃO
A entrega de um certificado digital àqueles que participaram do Seminário e do Encontro ocorrerá mediante solicitação junto à equipe organizadora. O link para solicitação será disponibilizado para os participantes presentes do Encontro Anual e também será enviado pelo chat do YouTube durante a realização dos painéis de ambos os dias.
CONTATO
Para mais informações, acompanhe as redes sociais da REBRAPAZ e do LabPOP, confira o site da REBRAPAZ (www.rebrapaz.com) ou escreva para contato@rebrapaz.com.
